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Como funcionam os sistemas de saúde dos países mais procurados pelos brasileiros?
Enquanto no Brasil há o Sistema Único de Saúde (SUS) que oferece desde atendimento até medicamentos e vacinas de forma gratuita, na maioria dos países só existem sistemas privados.
Há diversas razões que levam os brasileiros a mudarem para o exterior, como a busca por melhores condições de vida, segurança, experiência e aprender inglês. E, ao optarem por um novo lugar, encontram diferenças culturais e de sistemas, neste caso, destacam-se os programas de saúde.
Enquanto no Brasil há o Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece desde atendimento até medicamentos e vacinas de forma gratuita, na maioria dos países só existem sistemas privados. Lugares como Portugal, Canadá, Espanha, Reino Unido, Cuba, França, Dinamarca e Suécia até possuem programas de saúde gratuitos, mas isso não significa que todos os serviços são de graça.
Um outro ponto é que o Brasil é único país com mais de 200 milhões de habitantes que possui um sistema de saúde público, o número de habitantes dos outros não chega a 100 milhões.

Infográfico: Larissa Vilarinho
Há diferenças na forma como os sistemas de saúde públicos e privados funcionam em cada lugar. A pesquisadora em saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Crystina Barros, explica que, diferente de outros países que não possuem sistemas acessíveis, o Brasil mostra a importância do SUS. Entretanto, esclarece que o país sofre com a corrupção e o mal uso do dinheiro público e isso impede que o sistema seja efetivo como garante a constituição.
“O Brasil é um exemplo de modelo de saúde para vários lugares do mundo, a questão é que não conseguimos executar aquilo que planejamos. Mas sabemos, por exemplo, que além da questão de medicamento, existem países onde até a saúde privada, não possui a regulamentação que temos aqui”, afirma.
A pesquisadora dá como exemplo a limitação de diárias no Centro de Terapia Intensiva (CTI), que é comum em outros países e, no Brasil, isso não faz parte da realidade por uma determinação e regulação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANSS).
“Então, nós temos sim princípios que norteiam e estabelecem políticas públicas muito amplas, bastante eficientes e isso, sem dúvida nenhuma, torna-se motivo de orgulho para todos nós. O grande ponto é conseguirmos executar, tirar do papel para a prática através de bons gestores, de uma gestão transparente e aliada sempre com os valores de ética e que não tolerem a corrupção”, conclui.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, há cerca de 2,5 milhões de brasileiros que vivem no exterior. Mas como funciona, na prática, o sistema de saúde de cada país?
Os brasileiros que moram fora explicam:
Nova Zelândia

Lucas revela que nunca precisou usar os serviços de emergência do país. / Foto: Arquivo Pessoal
O país possui um sistema de saúde gratuito para os moradores, mas nem todos os serviços são de graça e geralmente o paciente precisa pagar algum valor. Segundo Lucas Gomes, que está em Auckland há um ano para aprender inglês, é preciso se registrar com um General Practitioner (GP) – que seria como um clínico geral no Brasil – para ser atendido.
Segundo o estudante, os valores para esse tipo de atendimento são menores para quem possui residência ou cidadania, variando entre NZD$ 60 – NZD$ 200 e também depende do tempo de consulta desejado e o médico escolhido. E, caso precise se consultar com um especialista, o valor é alto.
“Em caso de pronto socorro, é possível procurar o sistema de saúde 24h que é gratuito. Em relação há medicamentos, os valores não são tão caros”, conta.
Inglaterra

Bernardo e família já utilizaram o sistema gratuito do país. / Foto: Arquivo Pessoal
Já na Inglaterra, onde também há um sistema gratuito de saúde, é necessário conseguir um National Health Service (NHS) semelhante ao registro do SUS no Brasil para ser atendido. Além da emergência, também é possível se consultar com médicos em um posto de saúde local, chamado GP, para todo problema genético que possa vir a ter e que não seja emergencial.
Bernardo Medeiros, que está há quase quatro anos no país, conta que exames preventivos, check ups que podem ser feitos de forma gratuita no Brasil, são pagos.
“O preventivo para mulheres é gratuito de cinco em cinco anos. A prevenção contra o câncer e outras doenças que podem ser identificadas são gratuitas após os 40 anos e também não são anuais. Mas de todo resto, somos muitos sortudos de conseguir apoio médico gratuito 24h”, diz.
Os medicamentos não são gratuitos no país, mas há sistemas que os oferecem de forma mais barata, como planos. De acordo com Bernardo, caso uma pessoa prove que não consegue arcar com os remédios, ele será gratuito. E, mesmo tendo condições de pagar pela medicação, durante três meses ela é gratuita e depois possui um valor fixo de £35 por mês.
Irlanda

O jornalista nunca precisou usar os serviços de saúde do país. / Foto: Arquivo Pessoal
O jornalista Juan Andrade está na Irlanda há um ano e revela que não existe sistema de saúde pública no país, todos devem pagar pelos atendimentos, com algumas raras exceções.
“O custo pelo serviço de saúde, no geral, costuma ser muito caro pelo que sei, principalmente para quem é estrangeiro, já que os irlandeses e outros europeus têm alguns benefícios”, afirma.
Em relação a medicamentos, Juan diz que o valor varia, mas os mais comuns são baratos. E em casos de doenças mais graves, o governo fornece o remédio de forma gratuita.
Alemanha

Ao chegar no país, sofreu um acidente e quebrou o tornozelo e precisou passar por cirurgia, mas o tratamento foi pago pelo plano de saúde. / Foto: Arquivo Pessoal
Na Alemanha existem seguros de saúde públicos e privados. Segundo Giselle Cristina, que está no país há 4 anos e 8 meses, os públicos são até mais caros que os privados. Ela explica que a diferença é que no privado a responsabilidade é sua, já no público, você recebe ajuda no governo se tiver alguma necessidade, caso esteja desempregado ou tenha se aposentado, por exemplo.
Segundo Giselle, quando você trabalha o empregador paga a metade do seguro e você a outra metade, nisso está incluso o seguro dos filhos caso você tenha, e não é pago nada a mais por isso. Em relação a medicamentos, ela considera os valores normais, variando de remédio para remédio. Mas os seguros também cobrem os medicamentos receitados pelo médico. Já os valores das consultas e exames são caros, mas são cobertos pelo seguro.
“A não ser que você queira fazer um exame que não está ligado a algo que você esteja sentindo no momento (se tiver um seguro que seja só emergencial) ou um procedimento específico que seu seguro não cubra, a conta do médico é enviada direto para o seguro ou no máximo você recebe e tem que enviar. Isso funciona inclusive com consultas ao psicólogo e psiquiatra”, conta.
China

Já foi atendida em um hospital universitário e o médico conversou e explicou tudo em inglês. / Foto: Arquivo Pessoal
Na China, há hospitais particulares, públicos, os de medicina tradicional chinesa e os internacionais. Gabrielly Costa está no país há um ano e explica que o valor para ser atendido nos hospitais particulares e internacionais são altos, mas o valor do internacional é o mais caro.
“Os hospitais públicos tem área de atendimento com médicos que falam inglês, mas todos os exames e receitas serão entregues em mandarim. Apesar de público, todos precisam pagar por consulta, exames, medicamentos e etc., mas o valor é bem acessível”, revela.
O preço da consulta, segundo Gabrielly, custam de 10 a 20 na moeda local. E, em relação aos hospitais de medicina tradicional chinesa, o valor é mediano e depende de qual procedimento irá realizar e por quanto tempo.
Estados Unidos

A jornalista já precisou usar o sistema emergencial do país quando teve reação alérgica a um remédio / Foto: Arquivo Pessoal
O sistema de saúde dos Estados Unidos é totalmente privado. Morando no país há um ano e meio, Lívia Miranda explica que você tem a opção de pagar tudo do seu bolso ou usar um plano de saúde.
“Alguns empregadores fornecem plano de saúde, mas mesmo assim você paga mensalmente e também paga uma franquia, às vezes bem alta, porque o plano só cobre valores acima dela. Então, por exemplo, se a franquia do seu plano for 2 mil dólares, o plano não cobrirá nada abaixo disso”, conta.
Em relação aos medicamentos, os valores variam. Alguns são mais em conta, como o que Lívia toma diariamente (U$ 10 mensais). Já as vacinas, todas são pagas. Uma vacina individual não é tão cara, mas no caso de um bebê, que necessita de várias vacinas, o valor é alto.
Canadá

Antônio já utilizou os serviços gratuitos do país várias vezes, desde visita ao médico de família até tomar vacina / Foto: Arquivo Pessoal
Segundo Antônio Ribeiro, que mora no Canadá há cinco anos, a saúde no país é gratuita na maioria das províncias, mas em algumas, os cidadãos precisam pagar uma mensalidade como se fosse um plano participativo.
Antônio explica que existem os chamados “walk-in clinics”, que são clínicas onde você pode agendar o atendimento ou simplesmente chegar para ser atendido por ordem de chegada. São nessas clínicas que é possível encontrar os médicos de família.
“Todo e qualquer incidente relacionado à saúde (ida a hospital, atendimento de emergência, etc) será enviado a seu médico de família para acompanhamento posterior, tudo através de um sistema informatizado”, conta.
Já os medicamentos no país, são gratuitos até os 21 anos, após essa idade, é possível consegui-los com desconto de acordo com o plano de saúde que possui ou o sistema público cobre uma parte.
Em relação às diferenças entre o sistema gratuito do Canadá para o Brasil, Antônio diz que a maior delas seria os equipamentos e instalações, pois os hospitais do país possuem o que há de mais avançado.

Para Antônio falta zelo nos profissionais canadenses.