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Pandemia de covid-19 interferiu nos planos dos intercambistas
Estudantes brasileiros contam como lidaram com o adiamento das viagens para o exterior e os seus processos
O isolamento social imposto pelas autoridades governamentais nacionais, internacionais e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), devido à pandemia da covid-19, interviu nos planos de muitos estudantes brasileiros para o ano de 2020. Além de precisarem se adaptar ao novo ritmo das aulas virtuais, focado nas videoconferências, quem programou estudar no exterior precisou modificar os planos. É o caso da jornalista Anna Grimauth, de 21 anos, que necessitou transferir a viagem de intercâmbio, destinada a Londres (Inglaterra), para 2021.

Anna visitando a Times Square (Nova York), em uma viagem turística de 2019 / Foto: arquivo pessoal
“Minha viagem era em julho. Quando surgiram os primeiros casos de covid na Europa em março, que começaram a fechar vários lugares, ainda estava muito distante, na época, para saber o que aconteceria no decorrer dos meses. No primeiro momento, a escola de lá tinha dito que eu iria, porque, na ideia deles, até julho poderia ter aula normal. Mas depois eles disseram que não daria tempo”, conta.
Ouça o depoimento de Anna Grimauth em que ela fala sobre o adiamento de sua viagem para Londres (Inglaterra)
A jornalista, que atualmente trabalha no setor de comunicação social da prefeitura do município de Iguaba Grande (RJ), diz que a viagem seria destinada para aprimorar o inglês e conhecer novas pessoas e lugares. Sobre as burocracias, afirma que não houve dor de cabeça. “As empresas que firmei contrato foram super solicitas e atenciosas. Mantiveram contato comigo ao longo dos meses e, recentemente, me informaram que a viagem está prevista para julho de 2021, se tudo der certo”, complementa.

Gabi, em setembro desse ano, acariciando um canguru no zoológico Santuário Lone Pine Koala, em Brisbane (Austrália) / Foto: arquivo pessoal
A história da advogada Gabi Rossato, de 28 anos, é diferente. A brasileira saiu de São Paulo (SP) com destino à Austrália no início do ano, antes da pandemia, com o objetivo de melhorar o inglês, porém precisou reformular o roteiro já no exterior. “Meu plano era ficar apenas 6 meses na Austrália. Depois viajaria 2 meses pela Nova Zelândia, 3 pela Ásia e voltaria para o Brasil no fim do ano. Eu cheguei na Austrália em março, 2 ou 3 semanas antes de ser decretada a pandemia”, conta.
Percebendo que não conseguiria viver tudo o que havia planejado, devido às imposições da covid-19, precisou prolongar e adaptar sua estada na Austrália. “No fim do curso de inglês, comecei a pensar em todas as oportunidades que temos na Austrália, na possibilidade de ter uma vida boa com qualquer trabalho, na possibilidade de seguir um sonho e não uma profissão clássica que eu tinha me imposto seguir aos 17 anos de idade. Então estendi o meu visto por mais 1 ano e meio e agora estou cursando turismo”, esclarece.

Gabi visitando a West End, área residencial turística em Brisbane (Austrália) / Foto: arquivo pessoal
Gabi explica que escolheu a Austrália por causa da sua paixão por trilhas, praias, natureza e animais. “Achei que seria o lugar perfeito! Queria viajar bastante e o país tinha muito para me oferecer”. Porém, por mais que estivesse contente com a experiência, diz que foi difícil passar pela pandemia em outro país, pois estava incerta sobre o futuro e longe de todos que ama. “Acompanhar o crescimento dos casos no Brasil me deixava desesperada, pois aqui na Austrália tudo passou rápido. Desde julho não temos casos novos dentro do estado de Queensland, onde eu moro”, afirma.

Júlia e seu companheiro em 2019, durante um passeio a Belém, Lisboa (Portugal)
Foto: arquivo pessoal
A estudante Júlia D’Arrochella, de 22 anos, também precisou passar por adaptações. Ela migrou para Portugal há dois anos com o intuito de estudar medicina veterinária. No decorrer da pandemia, devido ao país estar fechado para o recebimento de visitas e as aulas virtualizadas, retornou ao Brasil para ficar com seus familiares. A estudante, nativa de Cabo Frio (RJ), esclarece que os protocolos de segurança durante à viagem foram intensos. “Passamos todo o tempo do voo de máscara, podendo tirar apenas nas refeições”.
Depois de alguns meses no Brasil, Júlia precisou retornar a Portugal em outubro. Segundo ela, as aulas estavam para retornar ao modelo presencial. No entanto, devido às estatísticas de casos e ao temor de uma segunda onda de covid-19 na Europa, as aulas duraram apenas uma semana, voltando para o modo virtual logo em seguida.
Ela afirma também que a experiência de viver a pandemia em outro país foi e está sendo mais tranquila. “Me sinto muito mais segura e protegida aqui do que no Brasil. Estamos com diversas limitações de novo, como por exemplo o toque de recolher e a proibição de sair nos fins de semana depois de 13 hora da tarde”.