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Os desafios dos brasileiros que tentam carreira no exterior
Ministério das Relações Exteriores disponibiliza cartilha com dicas para quem quer trabalhar fora do país
Todos nós já tivemos o sonho de ter uma carreira de sucesso fora do nosso país de origem. Aquele sonho americano incutido por Hollywood, de ser bem-sucedido, trabalhar muito, mas nunca se cansar porque ama o que faz e enfim conquistar o mundo. De Anne Hathaway em “O diabo veste Prada” até Lily Collins em “Emily em Paris”, o glamour de uma rotina de trabalho pesada no exterior parece valer muito a pena. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), quatro milhões de brasileiros vivem no exterior, sendo a maioria composta por trabalhadoras e trabalhadores que deixaram o País em busca de melhores oportunidades de emprego e renda.
Com o sonho de uma carreira no exterior se tornando cada vez mais realidade, brasileiros tem optado por migrar com mais frequência. Apesar do idioma, cultura e adaptação serem fatores que pesam na hora da decisão, os dados mais recentes da Receita Federal mostram que 22,4 mil pessoas entregaram a declaração de saída definitiva do país no ano passado.
A brasileira Clara Cernicchiaro que reside em Bournemouth- Inglaterra, conta como lidou com o fato de iniciar sua carreira no exterior. Ela é formada em Psicologia pela Universidade Veiga de Almeida – Campus Cabo Frio, RJ, desde 2017. Em 2018, se mudou para a Inglaterra onde iniciaria sua carreira.
Ouça o áudio de Clara contando porque quis se mudar para o exterior.
Não conseguindo atuar em sua área apenas com o diploma brasileiro, Clara está fazendo um curso de três anos para validar sua graduação. Apesar disso, ela relata que foi muito bem aceita e acredita que após acabar o curso terá oportunidades de emprego como psicóloga.

Clara visitando o ponto turístico Stonehenge - Reino Unido. Arquivo pessoal.
“Eu acho que se eu fosse de outra área que não precisasse de validação, eu teria muita oportunidade. Aqui é muito do que você mostra que é capaz de fazer sabe?! Não só ter lá no currículo, a sua experiência conta muito. ” Explicou, Clara.
O primeiro emprego da brasileira no exterior, foi como terceirizada da Google e depois como funcionária da Lush. Atualmente a brasileira trabalha em uma fábrica de componentes eletrônicos para sensores e instrumentos hospitalares.

Clara (de blusa azul), no seu primeiro emprego no exterior, como terceirizada da Google, atuando como de call center de brasileiros e portugueses . Arquivo pessoal.
Ouça o áudio de Clara contando como foi a experiência dos seus primeiros trabalhos no exterior.
Optando por fazer a graduação no exterior, o brasileiro Nino Carriço, que cursa Digital Design na Trinity College, Chicago - Illinois, acredita que por estar estudando lá, é possível conseguir uma rede de contatos local maior, proporcionando mais oportunidades.

“O processo de entrar na universidade é longo e complicado, ainda mais quando se leva em consideração o processo de autorização de visto”, diz Nino. Foto de arquivo pessoal: Nino Carriço na Trinity College, Chicago – Illinois.
“A verdade é que o choque de cultura é grande. Porém, minha experiência não tem sido nem um pouco comum já que estou cursando em um ano afetado pelo COVID. Estou sendo muito bem tratado e eles tem dado muitas oportunidades. ” Explicou, Nino.
Morar no exterior não é fácil, más é possível. Muitos brasileiros ainda têm uma imagem distorcida do que realmente é iniciar a carreira no exterior. Ou caem na utopia de que rapidamente podem conseguir trabalho e obter sucesso na área escolhida, ou que não existe espaço para o brasileiro se encaixar no mercado de trabalho estrangeiro.
Em entrevista concedida ao Infomoney, Elza Veloso, especialista em gestão de carreira, diz que é preciso posicionar os seus objetivos mais amplos da carreira e avaliar se a mudança para o exterior se enquadra na realização dos seus sonhos profissionais.
“ Ao considerar uma jornada internacional, é preciso avaliar as possibilidades de repatriação. Mesmo que os planos sejam de permanecer definitivamente no país de destino, como nunca temos certeza do futuro da nossa carreira, o possível retorno ao país de origem deve ser considerado. Nesse processo, preservar a network profissional já estabelecida, que sustente uma possível recolocação e futuras alianças, é algo essencial. ” Diz, Elza.
Apesar do ano de 2020 ter trazido muito impacto aos brasileiros que estão no exterior, o Ministério de Relações Exteriores está prestando auxílio com repatriação e assistência. Para aqueles que como Clara e Nino, ainda assim querem iniciar sua carreira em outro país, o site também possui uma cartilha com dicas para diversas áreas profissionais, como as embaixadas podem ajudar, contatos uteis, etc.